Sábado, 19 de Junho de 2021
 

Artigo: Armas pra que te quero!

Cada vez mais brasileiros tem se interessado pela aquisição de armas de fogo, com o intuito de garantir a sua segurança e de sua família, mas será que isso é, de fato, eficiente?

Com o incentivo do governo federal que vem implementando e incentivando novas políticas armamentistas, cada vez mais brasileiros tem se interessado pela aquisição de armas de fogo, com o intuito de garantir a sua segurança e de sua família. 

Vivemos em um país onde os índices de violência e criminalidade estão entre os maiores do mundo, e em um primeiro momento, ter a sua própria arma para autodefesa pode parecer uma ideia bastante sedutora.

Entretanto, temos também uma configuração única no Brasil, onde criminosos com larga experiência em combates contra facções rivais e contra a polícia utilizam até mesmo de armas de guerra, não deixando, portanto, nenhuma chance de defesa ao cidadão armado. 

Portar uma arma de fogo trás também no imaginário popular uma falsa sensação de poder e superioridade, deixando alguns inclusive mais propensos a serem causadores de violência, e não simples vítimas exercendo o seu direito de defesa. 

Outro fator importante é que cerca de 40% das armas apreendidas pela polícia no Brasil tem origem legal, porém foram furtadas, roubadas ou simplesmente vendidas por seus proprietários. 

Sabe-se também que mais armas significam mais homicídios, pois este é o objetivo final de uma arma de fogo. Essa afirmação pode ser comprovada em dados estatísticos, que revelam que, a cada 1% a mais de armas em circulação, temos um aumento de 2% nos homicídios. 

Um dos argumentos dos defensores da facilitação de obtenção de armamento a civis é que os Estados Unidos e outros países possuem muito mais armas que o Brasil, e um número de homicídios muito menor.

Isso, de fato, é verdade, porém violência e criminalidade devem ser analisadas entre muitos aspectos, como cultura, sociedade, clima (quem nunca ouviu dizer que somos latinos e temos “sangue quente”?), politicas de segurança publica, índice de desenvolvimento humano, entre tantos outros motivos, que não são logicamente compatíveis com a realidade brasileira, e que transformaria o porte de armas a todos um verdadeiro caos, com uma explosão de violência e homicídios até mesmo em questões banais, como simples discussões em uma fila de mercado, no transito ou até mesmo na academia. 

Porém, mesmo que os estudos sejam contrários ao  porte de arma para os cidadãos,  é inegável o direito de o cidadão ter uma arma legalmente em sua residência, com o intuito de proteger intramuros  a si próprio, sua família e seu patrimônio, tendo em vista que o Estado se torna ineficiente para gerir esta proteção a todos os cidadãos. 

Prof. José Ricardo Bandeira

É Perito em Criminalística e Psicanálise Forense, Comentarista e Especialista em Segurança Pública, com mais de 1.000 participações para os maiores veículos de comunicação do Brasil e do Exterior. Presidente do Instituto de Criminalística e Ciências Policiais da América Latina e Presidente do Conselho Nacional de Peritos Judiciais da República Federativa do Brasil.

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