Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020
 

Artigo: Futuro ou presente?

José Renato Nalini é Reitor da UniregistraL, docente da Pós-graduação da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020

O mundo hoje é movido a tecnologia. Ela causou mutação disruptiva que afeta a todos. Quem está liberado de receber os impactos da inteligência artificial e de seus algoritmos, da nanotecnologia, da robótica, da internet das coisas e deste tsunami de novidades em todos os setores?

Verdade que nem todos percebem as mudanças. Como afirmou William Gibson, cujo livro Neuromancer inspirou o filme Matrix, “o futuro já chegou, só não está uniformemente distribuído”.

Tema para o livro “Futuro presente: o Mundo movido a tecnologia”, de Guy Perelmuter. Ele aborda a convergência de várias evoluções, como internet, smartphones, sensores, o que leva a humanidade a um novo estágio de maturidade tecnológica.

Observa em sua obra aquilo que Klaus Schwab, o criador do Fórum Econômico Mundial tem afirmado continuamente: tudo se conecta e as tecnologias, ao convergirem e interagirem, criam nova e inimaginável realidade.

Paradoxalmente, o mundo tende a recuperar a espiritualidade. Não apenas com a proliferação de seitas e volta do misticismo. Algo mais difuso, mas perceptível. É o pensamento do sociólogo francês Michel Maffesoli, que recentemente lançou o livro “A Palavra do Silêncio”.

Sua análise é a de que as novas gerações já não acreditam no tripé de sustentação da modernidade: individualismo, racionalismo e progressismo. Desencantadas com a formatação de mundo que legamos a elas, privilegiam suas tribos, o emocional e o presente.

Ele chama isso de “religiosidade juvenil”. Os jovens não se reconhecem mais no materialismo econômico e ouvem o apelo do qualitativo da existência, querem fazer de sua vida uma obra de arte.

Os empregos desaparecem, o trabalho perde sua importância antiga e a curtição é por coisas simples, como compartilhamentos, solidariedade, generosidade. Conceitos tipicamente religiosos.

Um significativo sintoma da mudança é o convívio mais próximo, o compartilhamento de veículo, o cowork, o coliving, o “coetc”... Não por acaso, o “co” vem do latim “cum”, com. Conviver. A vida é muito difícil para quem está só. Daí essa tendência à partilha e à cooperação.

O futuro já está presente em larga escala e a humanidade nunca mais será a mesma.