Quinta-Feira, 2 de Abril de 2020
 

Kit gay nunca foi distribuído em escola; veja verdades e mentiras

Pesquisa IDEIA Big Data/Avaaz mostrou que 84% dos eleitores de Bolsonaro acreditaram na existência do kit gay

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, voltou a citar o "kit gay" nesta semana e desde então, o assunto tem sido muito comentado nas redes sociais. Segundo Abraham, o Ministério da Educação (MEC) "busca justamente valorizar o papel da família com as crianças pequenas nesses primeiros momentos. Sai o kit gay e entra a leitura em família", disse o ministro na terça-feira (7).

O projeto Escola sem Homofobia estava dentro do programa Brasil sem Homofobia, do governo federal, em 2004. O projeto era voltado para a formação de educadores, e em nenhum momento chegou a ter previsão de distribuição para alunos. O programa sequer foi colocado em prática.

Durante a eleição, o então candidato à presidência, Jair Bolsonaro, utilizou o livro "Aparelho Sexual e Cia - Um guia inusitado para crianças descoladas", do suíço Phillipe Chappuis, publicado no Brasil pela Companhia das Letras, para afirmar que fazia parte do "kit gay". O material, porém, jamais fez parte do projeto.

À época, O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Carlos Horbach, determinou a suspensão de links de sites e redes sociais com a expressão “kit gay”.

A representação tinha como alvos o então presidenciável do PSL e seus filhos Flávio Bolsonaro, e Carlos Bolsonaro. Eles reproduziram conteúdo que afirmava que o livro Aparelho Sexual e Cia tinha sido distribuído em escolas públicas pelo Ministério da Educação quando Haddad era o ministro da pasta.

Durante a eleição, a pesquisa IDEIA Big Data/Avaaz revelou que 83,7% dos eleitores de Jair Bolsonaro acreditaram na informação de que Fernando Haddad distribuiu o chamado kit gay para crianças em escolas.