Sábado, 15 de Dezembro de 2018
 

Artigo: 175 homicídios diários

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, conferencista e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters

Essa a taxa trágica dos assassinatos no Brasil. Mortes violentas intencionais cresceram 3% e atingiram 30,8 por 100 mil habitantes em 2017. 63.880 pessoas morreram assim. De morte violenta. O pior índice da série histórica iniciada em 2013. Nada menos do que 175 mortes por dia. Também cresceu o número de estupros: 8%, com 60.018 casos. O panorama da violência no Brasil é vergonhoso. Não há quem não tenha medo de andar na rua, em qualquer cidade, a qualquer hora.

O Estado mais violento do País é o Rio Grande do Norte. Tem 68 mortes a cada 100 mil habitantes, mais do que o dobro da média nacional. Em seguida o Acre, com 63,9 mortes por 100 mil e Ceará, 59,1, ambos Estados na rota do tráfico. O Rio de Janeiro, sob intervenção federal, aparece na 11ª colocação, com 40,4 mortes por 100 mil habitantes, alta em relação a 2016, quando a média foi de 37,6 assassinatos.

Com esse levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil garante seu espaço entre as nações mais violentas do mundo. Em 2015, com 16,7 mortes por 100 mil habitantes, já estávamos na sexta posição, atrás de El Salvador, Honduras, Venezuela, Jamaica e Trinidad Tobago. Nos Estados Unidos, com todas as carnificinas em escolas, a taxa foi de 4,9 e na União Europeia, 1 a cada 100 mil habitantes.

Várias as causas desse tétrico e vexaminoso campeonato. Não se pode descartar o declínio dos valores, o desprestígio da educação, a desestruturação da família, o enfraquecimento da Igreja, a pobreza, a miséria, a exclusão.

Mas tenho um ponto de vista que está na contramão de muitas opiniões recorrentes. Penso que as mortes também aumentam pela facilidade com que as pessoas se armam. Enorme quantidade de homicídios é praticada com o uso de arma de fogo. Sou radical quanto a isso: algo que é feito para matar, nem deveria ser fabricado.

Em pleno século XXI, já dispomos de tecnologias de imobilização, que deveriam ser utilizadas pela polícia, em lugar de armamento que é abundante e que entra no país por todas as portas. Não concordo com a tendência apregoada de se armar toda a cidadania. Isso só multiplicará os homicídios. E queremos chegar ao primeiro lugar num índice tão constrangedor?

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