Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
 

Artigo: Juventude sedenta de ética

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista

A imundície da política partidária leva os jovens sensíveis a uma fome de moralidade e a uma sede ética. A moral complacente da maior parte dos políticos profissionais não satisfaz a vontade de melhorar o mundo que anima as novas gerações. Elas sabem que o jeito de cuidar da coisa pública está longe do ideal. Que as pessoas se esquecem do bem comum e procuram atender a seus exclusivos interesses.

A maioria se desencanta, não quer participar do processo eleitoral e, com isso, deixa espaço para a gatunagem continuar. Ela está desenvolta, não se preocupa em obter unanimidade. Confia na ignorância e na capacidade de enganar ao número suficiente que garanta vitória nas urnas.

O momento não é o de desertar. Ao contrário. É a hora de escolher o melhor – ou o menos pior – e votar. E fazer com que todos votem. Não é possível continuar a reeleger aqueles que traíram os mandatos e que não representam senão à sua própria ganância de dinheiro e poder.

Talvez estimule aqueles que ainda não estão convictos de que a atuação individual é importante, mencionar o Código de Ética dos jovens cientistas partícipes do Fórum Econômico Mundial.

É um documento interdisciplinar, global e pode servir de inspiração a toda a mocidade insatisfeita com o rumo que as coisas tomaram neste Brasil em que a violência cresce, a indústria da morte prospera, a roubalheira também e tão miserável em quadros confiáveis, autorizadores de prenúncio de melhores dias.

É uma espécie de “catecismo de autorregulação” e tem apenas sete tópicos: 1) apurar a verdade. Não se satisfazer com a dúvida, nem propalar aquilo que não merece integral credibilidade; 2) apoiar a diversidade. Lutar por um ambiente em que as ideias de diversos grupos sejam ouvidas e avaliadas com base em evidências empíricas e em sensatez; 3) envolver-se com o público. Ter uma comunicação aberta para propalar as boas causas e comover as pessoas no sentido de não permitirem escape a última réstia de esperança que pode fazer a diferença neste planeta; 4) envolver-se com as autoridades. Acionar os líderes, não permitir que eles se isolem, fazer chegar a eles a opinião e a expectativa do homem comum. Motivá-los a permanecerem íntegros e a não se macularem com os descalabros de que a República está prenhe; 5) ser um mentor. Doar experiência, empoderar outras pessoas para que possam crescer em todos os sentidos e perceber o seu potencial cidadão para chegar a um nível aceitável de conduta na vida pública e na vida particular; 6) minimizar os danos. Tomar todas as precauções razoáveis para minimizar os riscos conhecidos e os riscos que fazem parte do processo participativo; 7) ser responsável. Mostrar responsabilidade em todas as ações e em todas as manifestações, até mesmo no silêncio, que pode ser eloquente quando a situação requeira explicitação incompatível com a omissão.

Pode ser pouco, mas será muito considerada a condição de desalento em que se encontra imersa a nacionalidade, que precisa de uma injeção de ânimo para não entregar os pontos e deixar o País soçobrar nas mãos e na irresponsabilidade de quem faz política por puro egoísmo e volúpia de mando.

Se cada jovem descrente conseguir convencer mais dez, será um excelente início de renovação. Não entregue a Pátria a quem não tem compromisso, a não ser com sua própria carreira e sua ambição. O jovem é o mais prejudicado, porque terá algumas décadas de imenso sacrifício, resultante da má-fé com que agiram e continuam a agir os detentores de parcela de mando.

Mando que pertence ao povo e a ninguém mais. Pelo menos, é o que a Constituição da República diz: “Todo o poder emana do povo”. Quando o representante não representa, o povo pode atuar no sentido da implementação da Democracia Participativa, promessa do constituinte que depende da cidadania para ser edificada.