Quinta-Feira, 14 de Dezembro de 2017
 

Polícia investiga denúncia de assédio sexual e outros crimes envolvendo o vereador "Mário Gay"

Andradina - O voto de deboche ou protesto pode até ser uma forma de o eleitor demonstrar sua frustração para com a política, mas corre-se o risco de colocar uma arma poderosa em mãos de pessoas sem afinidade ou o mínimo de preparo para ocupar um cargo público e defender os interesses de sua comunidade.

Isso pode estar ocorrendo com o vereador Mário Henrique Cardoso, o “Mário Gay”, seu slogan de campanha, que em oito meses de mandado sequer usou a tribuna por “incompetência” e se envolveu em casos polêmicos, todos em apuração pela Polícia Civil em Andradina. A reportagem obteve cópias das ocorrências.

Assédio sexual

No mais recente e “pesado” caso o parlamentar é acusado de assediar sexualmente seu então assessor de gabinete K.P.M., 21 anos, ele que seria a terceira ou quarta pessoa a ocupar a função após demissões anteriores em curto espaço de tempo. Segundo o Boletim de Ocorrência 1015/2017, registrado em 12 de julho passado, há algum tempo o assessor vinha sendo constrangido pelo vereador em local de trabalho para que tivesse relações sexuais com ele.

O assedio envolvia mensagens amorosas e solicitações de seus serviços fora do expediente de trabalho, além de tocar o então assessor e difamá-lo afirmando ser seu namorado e responsável em pagar suas despesas, conforme o “BO”. Na denúncia K.P.M. enfatiza ter pedido por diversas vezes que o vereador parasse com as investidas sobre ele. “Mário Gay” respondeu que o deixaria em paz quando arranjasse outro namorado e o ameaçou despedi-lo. E o fez posteriormente.

Horas antes de registrar a queixa no Plantão Policial, segundo declarações da vítima, “Mário Gay” deu barraco em frente à casa do agora ex-assessor, gritando que era ele quem pagava a faculdade do rapaz. Na queixa, incluindo gravações de celular, a vítima reforçou que o parlamentar o procurava inclusive durante os estudos e não hesitava em passar frequentemente na frente de sua residência.

A investigação de assédio contra o vereador está a cargo da Delegacia Seccional e corre em segredo de justiça. Segundo informou o delegado José Astolfo Júnior, esse procedimento é normal quando envolve situações assim. As gravações estão sendo analisadas.

Descontrole e agressão

Em abril passado, no recinto da Câmara, “Mário Gay” teve um ataque de nervos e agrediu uma empresária do ramo de decoração que aguardava, junto com o marido, uma reunião com outro parlamentar, visando um patrocínio.

Coincidentemente, a reportagem do Impacto On-line aguardava para entrevista com o presidente Silas Oliveira e registrou a baixaria em vídeo. Visivelmente descontrolado, “Mário Gay” proferiu palavrões contra a decorada Gilselene Zorzan e a agrediu fisicamente. Felizmente, servidores da casa intervieram e evitaram que o parlamentar descarregasse toda a sua fúria na vítima.

Segundo a decoradora, o vereador a taxou de “escória e desgraça” e lhe atingiu com a unha na mão direita. De acordo com BO 616/2017, “Mário Gay” deverá responder por lesão corporal, difamação e ameaça. Nesse dia o vereador alegou que há uma semana a decoradora estaria lhe provocando e que a visita ao legislativo seria para lhe irritar

Assédio moral

A reportagem também recebeu informação de que a primeira assessora do vereador teria se queixado dele por suposto assédio moral. Lembrando que ela era funcionária do frigorífico local há cinco anos e pediu demissão para trabalhar com o parlamentar, mas não suportou dois meses no cargo, segundo o Jornal O Foco.

Desfiliação polêmica

A primeira polêmica envolvendo “Mário Gay” diz respeito ao pedido de desfiliação do PPS, partido pelo foi eleito. Ele alega que sua assinatura foi falsificada ou lhe enganaram quando teve que assinar documentos de prestação de contas eleitorais [BO 2/2017].

A liderança do partido, entretanto, afirma que exame grafotécnico comprova que a assinatura é dele mesmo e com base nisso deverá pedir sua cadeira no legislativo, reforçada agora com novas denúncias que, uma vez comprovadas, caracterizam “quebra de decoro”. A exemplo de um policial civil da Seccional de posse de uma intimação, a reportagem do Impacto On-line não conseguiu contato com o vereador em seu gabinete porque ele estaria em viagem a Brasília.

Ética e imparcialidade

Por ética e a imparcialidade, neste sábado, 12, o Impacto aguardou o retorno e tentou localizar o vereador, com a ajuda do radialista Henrique Neto, mas ele não estava em sua casa, na vila Botega, nem no imóvel que acabara de comprar no bairro Bela Vista.

“Mário Gay” também não retornou a ligação do repórter solicitada via caixa postal em seu telefone celular e cujo número foi passado pelo vizinho e também vereador Hernani da Bahia.