Segunda-Feira, 26 de Junho de 2017
 

Corte nos salários dentro do setor de óleo e gás chega a 30% nos últimos três anos

O desemprego é um mal que vem assolando a vida dos brasileiros – mais precisamente, cerca de 14 milhões de pessoas no País estão sem ocupação, vítimas da terrível crise que atingiu em cheio o Brasil. Mas até mesmo quem conseguiu manter seu emprego não se safou dos efeitos da recessão econômica. Dentro do setor de óleo e gás, a redução de salários em alguns cargos já chegou a 30% desde 2014, de acordo com o gerente da Michael Page, Fábio Oliveira.

A empresa, do segmento de recrutamento especializado, fez recentemente uma pesquisa para avaliar o impacto nos salários. “A perfuração com sondas foi uma das mais afetadas. Diminuiu muito. Mas também tivemos queda nos prestadores de serviços e no setor marítimo. A área de estaleiros sofreu bastante também“, afirmou Oliveira.

Na edição de 2017, a pesquisa apontou que 84% dos cargos do mercado de óleo e gás tiveram estagnação de remuneração, enquanto que os 16% restantes sofreram queda. Porém, Oliveira acredita que o cenário pode mudar entre este ano e o próximo. “Temos um leilão marcado para outubro, a 2ª rodada de licitações de partilha. Vai ser um bom termômetro para o mercado“, disse.

Quais os principais pontos que influenciaram na estagnação e redução de salários no setor de óleo e gás?

Temos dois principais fatores: a queda no preço do barril e desafio político e econômico pelo qual o Brasil passa. Com a Petrobrás enfrentando os desdobramentos da Lava Jato, alguns contratos foram rescindidos e, além disso, novas licitações não aconteceram. Então, tivemos a estagnação do mercado de óleo e gás e, em função disso, tivemos uma desmobilização muito grande. Principalmente dentro das empresas fornecedoras. Com esse quadro de corte de funcionários, os sindicatos entraram em acordo para tentar manter os empregos e, por isso, não ocorreu aumento de salários. Em alguns casos, tivemos até uma redução na remuneração.

A quanto chegou essa redução?

Desde 2014, tivemos uma redução de 20 a 30% em algumas posições.

Quais foram os cargos que mais tiveram queda de salário dentro do setor de óleo e gás?

Principalmente na área de perfuração. A perfuração com sondas foi uma das mais afetadas. Diminuiu muito. Mas também tivemos queda nos prestadores de serviços, no setor marítimo… foi geral. A área de estaleiros sofreu bastante também. São setores que não tiveram nenhuma renovação de contrato.

Quando esse cenário de estagnação e de queda de salários começou, efetivamente? E quando deve chegar ao fim?

Começou no final de 2013. Mas nós já vemos atualmente um cenário mais estável. As empresas já estão se preparando para a retomada que deve acontecer no final desse ano ou no final do ano que vem. Vai depender muito do que acontecerá no futuro.

E o que precisa mudar no setor para os salários subirem novamente?

O País precisa aumentar a demanda. O mercado precisa ter previsibilidade do governo, com a intenção de novas rodadas de licitações. Um cronograma será vital para que o mercado possa sentir confiança de novo e, assim, aconteça a retomada. Temos um leilão marcado para outubro, a 2ª rodada de licitações de partilha. Vai ser um bom termômetro para o mercado.

As mudanças regulatórias recentes ajudam de que forma para o crescimento da remuneração no setor de óleo e gás?

A desobrigação da Petrobrás ajuda a ativar o mercado de óleo e gás nacional. Algumas operadoras grandes, como Shell, Total e Karoon, já estão olhando o Brasil como opção de investimento. Então, entendemos que com isso a retomada no setor pode acontecer no ano que vem, influenciando os salários.