Sábado, 19 de Janeiro de 2019
 

Governo mantém abandonado sobrado histórico em Itapura

Prefeito Jerry Jerônico diz que o projeto de restauração está pronto. A execução fiava em R$ 1,8 milhão há um ano. Alckmin prometeu ajudar, mas esqueceu o assunto

Itapura - Há um ano está pronto o Projeto de Restauração do Sobrado Histórico de Itapura, o Castelo de D. Pedro II. Mas o prefeito Jerry diz que o governador Geraldo Alckmin que havia prometido buscar empresas e parcerias entre os setores públicos e privados para realizar a obra, nunca mais falou no assunto. Mas o prefeito pretende na próxima audiência com o governador, sugerir que ele o acompanhe num pedido especial: que o dinheiro da restauração seja uma doação dos Chineses que acabaram de comprar os direitos da usina hidrelétrica de Ilha Solteira.

O projeto custou para os cofres do Estado. A verba destinada pelo governador Geraldo Alckmin ( PSDB) foi de R$ 250 mil. “Muita gente acha que esse dinheiro já era para restaurar o prédio, e que desaparecemos com os recursos”, lamentou o prefeito em tom de desabafo. A liberação dos recursos foi conquistada por Jerry, na última visita que o Governador fez ao município. Na ocasião Alckmin mostrou sensibilidade e tomou a primeira iniciativa mais importante.

“Entre reforma e restauração existe uma diferença muito grande”, afirmou o prefeito Jerry. Ao contrário da reforma, a restauração precisa de estudo histórico, pesquisa, contratação de técnicos experientes e reconstrução com fidelidade ao projeto original.

Restauração traz volume anexo ao sobrado

O projeto de restauração foi escolhido em concurso realizado pela Secretaria Estadual da Cultura, responsável também pelo estabelecimento dos critérios da obra, uma vez que ela é tombada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Histórico e Cultural do Estado de São Paulo.

Os vencedores foram os arquitetos do “Centro Arquitetura”. Assinaram o projeto os profissionais Carlos Ferrata, Diego Vernille da Silva, Fábio Takayama Garrafoli e Miriane Sugawara.

O projeto traz uma novidade: a acessibilidade. Está prevista construção de uma estrutura lateral, para dar suporte à escadas e elevadores para acesso de cadeirantes e outros portadores de necessidades diferenciadas.

Local será museu e biblioteca

Veja a descrição técnica: “O acesso ao edifício poderá ser feito tanto pelo “acesso principal” com alpendre, como pelo lado oposto, originalmente de caráter secundário, mas agora tratado com a mesma importância do anterior. Para isso, substituiremos a precária escada existente, responsável por vencer o pequeno desnível entre o piso térreo do edifício e o chão, por uma plataforma servida de um conjunto de rampa e escada.

Vale ressaltar que essa rampa terá inclinação máxima de 5% de modo a evitar a construção de corrimãos, bem como de facilitar o deslocamento. Além da escada, que é o elemento que faz a transição entre a construção original e a nova, esse volume anexo contará com um elevador e um banheiro adaptado para pessoas portadoras de necessidades especiais nos dois pavimentos”.

Outra informação importante do projeto, é que o prédio estará destinado a servir de Biblioteca e Museu. Mesmo com portas arrebentadas, janelas despencando, forro caindo e estruturas ruindo, o prédio ainda se apresenta belo e imponente visto de longe, no meio da quadra que lhe reservaram para praça.

Importância da mídia, e o olho nos chineses

Às vezes em que ocorram reformas do prédio, foram devido a manifestações da imprensa nacional. A primeira grande reforma do prédio ocorreu na década de 1970, por iniciativa do jornal O Estado de São Paulo, através do repórter Moacir Castro.

Os correspondentes Luiz Carlos Lopes, de Marília e Antônio José do Carmo de Araçatuba, também produziram diversas reportagens que favoreceram a exposição do abandono desse patrimônio histórico como “orgulho do passado, mas vergonha para o presente”.

O Governador Geraldo Alckmin disse há um ano, que seria necessário procurar empresas patrocinadoras desse empreendimento e que ele seria um dos agentes dessa busca. Quem sabe não seria o cartão de visitas para os Chineses, agora nossos camaradas, donos das hidrelétricas?

Antônio José do Carmo-Jornal O Noroeste Rural.