Quinta-Feira, 12 de Dezembro de 2019
 

Artigo: Elas merecem mais

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, autor de “Ética Ambiental”, docente da Uninove e Presidente da Academia Paulista de Letras 2019-20

As crianças que nasceram neste ano de 2019 e daqui por diante, já nascem devedoras de 70 mil dólares. É o custo do déficit interno brasileiro. Com tendência a aumentar, porque ainda não se atacou como se deve o conjunto de fatores que inviabilizam o Brasil.

Para começar, com municípios que não poderiam ter autonomia, porque não têm e nem se vislumbra venham a ter receita, da mesma forma que Estados-membros que deveriam ter status de territórios, por absoluta incapacidade de sobrevivência com seus próprios recursos.

Mas essa dívida não é o pior. As crianças nascerão sem a esperança de uma vida saudável. O Brasil negligencia seus compromissos internacionais com relação à emissão de gases do efeito estufa que causam o aquecimento global e geram a catástrofe das mudanças climáticas.

O recente encontro da COP-24 foi outro fiasco. Seja porque os Estados Unidos, o maior emissor do veneno, anunciou sua retirada do Acordo de Paris, sob argumento de que o aquecimento global é conspiração chinesa para não deixar o país crescer.

Enquanto isso, o negociador-chefe da China participou da conferência em Katowice, na Polônia e reconheceu que a adoção de um livro de regras “mostra o sucesso do multilateralismo, ao combinar os interesses nacionais e internacionais”.

De qualquer maneira, está formalmente mantido o acordo em relação às metas nacionalmente determinadas. Sem desrespeitar a soberania nacional, o Acordo de Paris espera que cada País determine o quanto vai reduzir em suas emissões de carbono e em quais áreas. Os países desenvolvidos devem custar os países em desenvolvimento. É preciso fazer revisão global a cada cinco anos, a partir de 2023, sob sistema de comum monitoramento. Cada nação elaborará relatório bianual, com rigor maior para os desenvolvidos.

Já não está em pauta a compensação por perdas e danos, a desejável e ambiciosa antecipação da revisão para metas melhores e a proteção da Amazônia. Quando o Brasil não quis sediar a próxima reunião, que será no Chile, houve um arrefecimento de todos os Países interessados na preservação da maior floresta tropical do mundo.

E que está sendo inclementemente destruída para atender a grileiros, ao agronegócio e aos “céticos”. As crianças que ainda não nasceram vão ficar decepcionadas. Se vingarem. Elas mereciam mais.

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