Sexta-Feira, 20 de Setembro de 2019
 

Leia qualquer coisa. Mas leia!

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante, parecerista e Presidente da Academia Paulista de Letras 2019/2020

Por que o Brasil é um dos países mais atrasados em educação? Por que o brasileiro lê pouco. É a minoria excepcionalíssima que lê bastante, assim como os povos civilizados o fazem e isso há séculos.

Aqui, porque o hábito da leitura não começou em casa, os pais nem sempre leem estórias para seus filhos, não dão livros de presente, criam-se gerações iletradas. Todas antenadas com seus mobiles. Mandam mensagens com erros crassos de português. Fala-se mal, pouco se pensa, porque pouco ou nada se lê.

O mercado livreiro mergulho em profunda crise porque o livro não é um produto que entra no orçamento permanente das famílias. Qual a reserva mensal para aquisição de livros, feitas por pessoas que têm condições de compra-los? É o hábito errôneo de gastar com aquilo que nada acrescenta. Pode acrescentar é gordura nefasta para a qualidade de vida.

Compra-se guloseimas, doces, produtos quimicamente alterados para sugerir prazer. Mas o livro, que é benéfico e pode mudar sua vida, não tem espaço na cogitação de um povo cada vez mais rústico em sua formação intelectual.

Recentemente vi-me vencido quando propus a outorga de um prestigiado prêmio a uma pessoa que faz todas as crianças lerem. O academicismo de outros integrantes do Júri impediram a minha escolha, que era também a da Presidente da Comissão Julgadora, sob argumento de que a produção do nosso escolhido “não era literatura”.

Visão estreita, pequena e acanhada de quem só considera literatura uma obra volumosa, que é acessível a poucos, pois falta vocabulário, acuidade, gosto e cultura para a legião de brasileiros que não leem. Literatura é tudo aquilo que pode ser lido e que cativa a pessoa, desde criança, para o gosto pela leitura.

Na verdade, o meu indicado não precisava daquele prêmio. Seu prêmio é o reconhecimento planetário do valor de sua obra. Quem é que consegue ser lido por bilhões de terrestres? Mas o obscurantismo de certas erudições ajuda a explicar porque a leitura não tem vez neste pobre país.

Que consome bilhões em fumo, em álcool, em cosméticos, em alimentação para animais, mas que é um dos menos interessados em gastar com cultura. É o que explica o estágio que alcançamos no conjunto das Nações. Alguma perspectiva de mudança?

Nota da Redação: Os artigos publicados neste espaço “Opinião” são de inteira responsabilidade de seus autores. As opiniões neles emitidas não exprimem, necessariamente, o ponto de vista do “Jornal Folha Regional de Andradina” e nem de sua direção.