Terça-Feira, 25 de Fevereiro de 2020
 

MPF denuncia Glenn por invadir celulares de autoridades

(Foto: Adriano Machado/Reuters)

Jornalista não estava sendo investigado; outras seis pessoas também são alvo do inquérito

O Ministério Público Federal em Brasília apresentou à Justiça na manhã de terça-feira (21) uma denúncia criminal contra o jornalista Glenn Greenwald e outras seis pessoas por envolvimento no cometimento de crimes relacionados à invasão de celulares de autoridades brasileiras, informou o órgão em comunicado e na íntegra da acusação.

Segundo o comunicado, o MPF disse que ficou comprovado que Greenwald, embora não fosse alvo das investigações, "auxiliou, incentivou e orientou o grupo durante o período das invasões".

O MP acusou os denunciados que em sua maioria foram presos durante as investigações da Operação Spoofing, deflagrada pela Polícia Federal-- e pede a condenação por interceptações telefônicas e de outros aparelhos obtidos de forma ilegal. Com exceção do jornalista, os demais também vão responder pelo crime de lavagem de dinheiro. Greenwald também foi denunciado pelo crime de associação criminosa.

O conteúdo das mensagens foi objeto de uma série de reportagens desde junho do ano passado pelo site editado por Greenwald em colaboração com outros veículos e levantou a suspeita de que procuradores da República e o atual ministro da Justiça, Sergio Moro, quando atuava como juiz da operação Lava Jato, teriam atuado de forma irregular. Eles negam.

Segundo a acusação, na análise de um computador apreendido com autorização judicial foi encontrado um diálogo entre o jornalista e outro denunciado. A conversa, disse a peça, ocorreu logo após a invasão do celular de Sergio Moro.

No áudio, segundo o MPF, esse denunciado deixa claro que as invasões estavam sendo realizadas e pede orientações ao jornalista a respeito da possibilidade de "baixar" o conteúdo das mensagem do Telegram de outras pessoas antes da publicação pelo site The Intercept Brasil, comandado por Glenn Greenwald.

"Greenwald, então, indica que o grupo criminoso deve apagar as mensagens que já foram repassadas para o jornalista de forma a não ligá-los ao material ilícito, 'caracterizando clara conduta de participação auxiliar no delito, buscando subverter a ideia de proteção a fonte jornalística em uma imunidade para orientação de criminosos'", diz o MPF na acusação, ao sustentar que o jornalista, diferentemente da tese por ele apresentada, recebeu o material de origem ilícita, enquanto a organização criminosa ainda praticava os crimes.

O procurador da República no Distrito Federal Wellington Divino de Oliveira, responsável pela denúncia, vai encaminhar cópia da denúncia à Procuradoria-Geral da República a fim de subsidiar eventual pedido de revogação de liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que impede investigações contra o jornalista.