Sábado, 25 de Maio de 2019
 

A melhor defesa é mesmo o ataque?

José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente universitário, autor de Ética Geral e Profissional, 13ª ed., RT-Thomson Reuters

Um dos aspectos lamentáveis da campanha eleitoral insólita que o Brasil assiste em 2018, é a intenção de cada candidato desconstruir o adversário. Não é possível generalizar, porque existem aqueles que se propuseram a algo diferente da mediocridade que aí está. Mas estes, infelizmente, não têm tempo de TV. E, segundo dizem os especialistas, do norte de Minas para cima, o que impera é a televisão.

Os “bem posicionados” não têm projetos? Não tem nada a mostrar, senão “detonar” o adversário? O que mostra essa tendência de esconder o seu perfil, as suas propostas, os seus planos e só apontar para as falhas do concorrente?

Não sei o que isso impacta o convencimento de todo o eleitorado. Também não sou um eleitor típico, daqueles que estão na mira dos marqueteiros. Tento valorizar o meu voto, embora seja apenas um dentre os quase cento e cinquenta milhões que “renovarão” o Congresso, as Assembleias Legislativas, o Governo do Estado e da União.

Mas fico a cada dia mais decepcionado com essa Democracia Representativa em que o candidato não tem o que mostrar, não confia no seu currículo, na sua capacidade de encantar o único detentor da soberania estatal, que é o povo e precisa fazer pouco do seu adversário.

Coisa pobre, mesquinha e antiética! Explorar fragilidades, enrijecer o “dedo duro”, pronto a atirar a primeira pedra, é algo lamentável. Como se as pessoas não fossem um conjunto de atributos e de fissuras, amostragem da miséria humana. Ninguém é tão perfeito que possa condenar o próximo.

Enfatizar o que considera ponto fraco do concorrente é fornecer a prova de que não é convincente o seu discurso edificante. As obras falam pelos seus artífices. Quem é bom não precisa provar que o outro é mau para merecer o respeito e a consideração de seus coetâneos e dos pósteros.

É claro que para a maior parte dos candidatos – onde a “cândida e álvea veste de quem se apresenta para gerir a coisa pública? – não interessa a posteridade. Interessa é ganhar a eleição. Com o poder e a caneta na mão, os áulicos cuidarão do resto. Há quem não consiga viver sem as moscas melífluas do mais abjeto servilismo.

Quando será que o povo adquirirá maturidade e saberá distinguir o joio do trigo? (e escolher o trigo, é óbvio...).

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